domingo, julho 02, 2017

Nessa  semana  juntos, pensavam que iam enlouquecer. As  carícias de Robert  deixavam Dorothy em tal estado que ela suplicava: «Possui-me!»  Ele fingia negar-se, só para a ver rebolar numa deliciosa tortura, à beira de um orgasmo, bastando para isso que ele lhe tocasse simplesmente com a ponta do pénis. E ele ficava prostrado, torturado pelo desejo de ser novamente tocado, com medo de acordá-la.  Aproximava-se dela, colocava o pénis contra as suas nádegas, tentando mover-se contra elas,  e depois ela acordava e começava a tocar-lhe e a chupá-lo de novo. O rosto de Dorothy estava inchado de beijar e ela tinha marcas de dentes de Robert no corpo e, no entanto, não podiam tocar um no outro na rua, mesmo enquanto caminhavam, sem  estremecerem de desejo.
Anaïs Nin, em Os Passarinhos

 L'homme qui ment (1968) de Alain Robbe-Grillet