terça-feira, janeiro 31, 2017

Akram Khan, Melhor não há


Solo de "Sacred Monsters" por Akram Khan



Akram Khan e Silvie Guillem, em "Sacred Monsters" numa das últimas apresentações desta bailariana em palco
Akram Khan, para quem não conhece, uma das mais importantes figuras do Bailado Contemporâneo. Bailarino e Coreógrafo, aquando da sua presença em Portugal em 2014, tive o privilégio de o ver dançar.

Nascido em Londres em 1974 de uma família oriunda do Bangladesh,  Akram Khan inicia a sua carreira nos finais dos anos 90, fiel a “katah”, dança original indiana e dedicando o restante tempo à dança contemporânea.
Em Agosto de 2000 cria a sua própria companhia, Akram Khan Company.
Hoje em dia é um dos artistas mais conceituados no mundo da dança. 

Tematicamente, atestamos o seu interesse pela viagem (Zero Degrees, 2005); por trabalhar sobre o caos e a ordem, física ou interior (Kaash, 2002, e iTMOi, 2013); por explorar a sensação de os indivíduos se sentirem perdidos (Bahok, 2008) ou de se reagruparem em unidades coesas e fortes (Dust, 2014); e pelas diferentes experiências culturais e corporais, vertente que se tem materializado em distintivos duetos e colaborações com Sidi Larbi, bailarino belga, em Zero Degrees, Sylvie Guillem, bailarina de dança clássica, em Sacred Monsters (2006), Juliette Binoche, atriz, em in-i (2008), e Israel Galván, bailarino de flamenco, em Torobaka (2014). Mas Khan tem também obras centradas na escrita coreográfica, criadas sem a interferência de um guião ou de outros elementos de teatralidade, como Rush (2000) ou Vertical Road (2010).

As informações deixadas constavam no programa da companhia.

A Companhia Nacional de Bailado, inclui no seu 
reportório da temporada 2016/17, a obra de Akram Khan,
iTMOi IN THE MIND OF IGOR. Já em Fevereiro

Para mais informações clique

domingo, janeiro 29, 2017

Mon Roi (Meu Rei), com palavras à mistura de Anaïs Nin





















Por vezes, fingia que queria que ele me fizesse mais coisas. Pensava que se fechasse os olhos, ele me possuiria. Gostava da maneira como se aproximava de mim, como um caçador, sem fazer qualquer ruído até se deitar ao meu lado. Às vezes, ele começava por levantar-me o vestido e observar-me durante muito tempo. Depois tocava-me ao de leve, como se não me quisesse acordar, até eu ficar molhada. Os seus dedos aceleravam os gestos. Mantínhamos as nossas bocas coladas, as línguas a acariciarem-se. Aprendi a tocar-lhe no pénis com a boca, o que o excitava profundamente. Perdia  toda a sua meiguice, enfiava o pénis na minha boca  e eu achava que ia sufocar. Um dia mordi-o, magoei-o, mas ele não se importou. Engoli a espuma branca. Quando ele me beijou, os nossos rostos ficaram cobertos de sémen. O maravilhoso cheiro  a sexo impregnava-me os dedos. Não me apetecia sequer lavar as mãos.
Anaïs Nin, Passarinhos
Edição Bico de Pena

Imagens do filme "Mon Roi" (Meu Rei)
ComVincent Cassel, Emmanuelle Bercot, Louis Garrel, Isild Le Besco.
Realização  Maïwenn.

País: França



 

O Encontro





O casamento do Zeca foi uma chatice.
Só gente com a mania.

Relógios de oiro, vestidos coloridos,
muito penduricalho
muita plástica
tudo artificial.

Bonecas de luxo
caras iguais
bocas pintadas vermelho vivo
unhas a condizer.

Mulheres robotizadas
loiras, loiras
já não existem morenas
nem cabelos escuros
somos nórdicos, não somos latinos.

Deles então
nem
é bom falar
de azul ou cinzento
cinzentões.!!
Só mesmo elas para
lhes pegarem,
que belos pares
que coisa linda.

Falam? Acho que sim
de quê? Não sei.
A única que se safava
tinha uma flor no cabelo
e o sonho no olhar
vestia
simplesmente.
simplesmente vestia.

Ele, foi em quem reparou
Ele vestia-se
de ilusão.
Tirou-lhe a flor do cabelo
disse-lhe:
"Vamos dançar?"

Nunca mais
ninguém
os
viu.

Nunca mais se separaram.

Somos Almas Gémeas, disse

E no Fio da Navalha 
viveram
Viveram.

quinta-feira, janeiro 26, 2017

Quem foi que à tua pele conferiu esse papel
de mais que  tua pele ser pele da minha pele
David Mourão-Ferreira








Calafetado contra os sonhos, fico
Contigo, prisioneiro dos liames
Que te cercam e cercam o teu rosto,
A tua carne rasgada nos arames.

Extinguiu-se o apelo da partida…
As quilhas já não sofrem a espuma.
Fico contigo na luta pelo dia
No endurecido leito de caruma.

Tu estás sentada sobre a terra…
Pelas searas corre um vento rude.
Teu corpo é uma espiga amadurecida
Pela água aprisionada do açude.

Corsários acamaradam no mar largo…
Mas do teu caule fino, nasce e ondeia
À minha volta, uma canção serena
Que me prende docemente à sua teia.


egito gonçalves

sábado, janeiro 21, 2017

TRUMP/OUT








Foi hoje, em Lisboa, como em várias capitais do mundo: a Marcha das Mulheres contra Donald Trump. Estive lá, em Lisboa. As fotos são da Raquel e do Luis. 

 Às pessoas que argumentam o seguinte: «sim, eu também não gosto do Trump, mas a verdade é que venceu as eleições e temos é de saber respeitar isso», quero dizer o seguinte:
1 - se o exercício da Democracia se limitasse a isso, não seria nunca uma democracia digna desse mesmo nome;
2 - o problema de Trump não vem sozinho. Ou melhor, está para lá da sua eleição e da nova administração dos EUA. É um problema social - agudo - que cresce a cada minuto. O racismo, o ódio aos pobres, o discurso populista, a política da guerra não aparecem por acaso e, com certeza, só desaparecem com gente na rua.
disse o Luis (Monteiro)

A Família


Ela era linda. A diferença de idades não impediu o casamento. Ele
tinha uma filha da idade dela. 
A fotografia encontrava-se numa moldura especial, por isso, os cantos tinham sido cortados. 
Moram cá em casa, entre as caixas de pó de arroz, os colares de pérolas, a grafonola, os discos His Master's Voice e todas as coisas que valem a pena. 






 Nada é inventado além do que está latente no nosso cérebro, onde o mundo, por maior que seja, não tem segredo que ele não transporte.

What is that between us?

Dean Cornwell, The Other Side

What is that between us?
What is the count of the scores of hundreds of years between us?

Whatever it is, it avails not - distance avails not, and place
    avails not, 
I too lived, Brooklyn of ample hills was mine,
I too walk'd the streets of Manhattan island, and bathed in the
    waters around it,
I too felt th curious abrupt questionings stir within me,
In the day among crowds of people sometimes they came
    upon me,
In my walks home late at night or as I lay in my bed they came
    upon me, 
I too had been struck from the float forever held in solution,
I too had receiv'd identity by my body,
That I was knew of my body, and what I should be I knew I
    should be of my body.

Nor is it you alone who know what is to be evil,
I am he who knew what it was to be evil,
I too knotted the old knot of contrariety,
Blabb'd, blush'd, resented, lied, stole, grudg'd,
Had guile, anger, lust, hot wishes I dare not speak,
Was wayward, vain, greedy, shallow, sly, cowardly, malignant,
Play'd the part that still looks back on the actor or actress,
The same old role, the role that is what we make it, as great as
    we like,
Or as small as we like, or both great and small.

Walt Whitman in Laws For Creations


quinta-feira, janeiro 19, 2017

“Com a mão trêmula, a rapariga punha algumas gotas de seu colírio. Assim sempre poderia dizer que não eram lágrimas o que lhe estava escorrendo dos olhos.”

José Saramago in Ensaio sobre a cegueira

Foto de Katia Chausheva

quarta-feira, janeiro 18, 2017

O REGRESSO DE ULISSES - Mário Cesariny

Dimitry Vorsin

O HOMEM É UMA MULHER QUE EM VEZ DE TER UMA CONA TEM UMA PIÇA, O QUE EM NADA PREJUDICA O NORMAL ANDAMENTO DAS COISAS E ACRESCENTA UM TIC DELICIOSO Á DIVERSIDADE DA ESPÈCIE. MAS O HOMEM È UMA MULHER QUE NUNCA SE COMPORTOU COMO MULHER, E QUIS DIFERENCIAR-SE, FAZER CHIC, NÃO CONSEGUINDO COM ISSO SENÃO PRODUZIR MONSTRUOSIDADES COMO ESTA FAMOSA “CIVILIZAÇÃO OCIDENTAL” SOB A QUAL SUFOCAMOS MAS QUE, FELIZMEMTE VAI DESAPARECER EM BREVE.
PELO CONTRÁRIO, A MULHER, QUE É UM HOMEM, SOUBE SEMPRE GUARDAR AS DISTÂNCIAS E NUNCA PRETENDEU SUBSTITUIR-SE À VIDA SISTEMATIZANDO PUERILIDADES, COMO FILOSOFIA, AVIAÇÃO, CIÊNCIA, MÚSICA (SINFÓNICA), GUERRAS, ETC. ALGUNS PEDANTES QUE SE TOMAM POR LIBERTADORES DIZEM-NA “ESCRAVA DO HOMEM” E ELA RI ÀS ESCÂNCARAS, COM A SUA CONA, QUE É UM HOMEM.

DESDE O ÍNICIO DOS TEMPOS, ANTES DA ROBOTSTÓNICA GREGA, OS ÚNICOS HOMENS-HOMENS QUE APARECERAM FORAM OS HOMENS-MEDICINA, OS HOMENS-XAMAS (HOMOSSEXUAIS ARQUIMULHERES).
ESSES E AS AMAZONAS (SUPER-MULHERES-HOMENS). MAS UNS E OUTROS ERAM DEMAIS. E DESDE O ÍNICIO DOS TEMPOS QUE PENÉLOPE ESPERA O REGRESSO DE ULISSES. MAS O REGRESSO DE ULISSES É O HOMEM QUE É UMA MULHER E A MULHER QUE É UMA MULHER QUE É UM HOMEM.

Pena Capital de Mário Cesariny
Assírio & Alvim – Maio de 1982


Nota: Escrito num tempo em que não havia Internet, 
nem preconceito idiota de não se escrever em maiúsculas.