terça-feira, janeiro 26, 2016

Imagem "Esplendor na Relva" de Elia Kazan
ela diz que é o contrário,
que ela não pode esquecê-lo.
que a partir do momento em que
não se passa nada entre eles,
fica a memória infernal
daquilo que não acontece.

(marguerite duras)


Imagem do filme "Esplendor na Relva" (1961)

segunda-feira, janeiro 18, 2016

E, no entanto, não era

Victoria Jaiani and Fabrice Calmels, Joffrey Ballet of Chicago
Fotografia de Herbert Migdoll

era o silêncio sobre a terra
as nossas frases quase novas
o nosso amor e, alguma alguma coisa eterna para aprender
já não era quem eras tu. já não era quem era eu.
debaixo da pele, a luz esperava o medo de ser
quem éramos. a luz esperava
a voz era o silêncio


se o teu passo fosse dança, serias os braços 
que acompanham na viragem do sonho, 
o fogo de artificio que precede a festa da primavera,
o vento que assobia em manhã 
de cama forrada a lençóis de cetim, 
o beijo com que te acordo, o mar e as ondas, 
o olhar de tranquila quentura.


E, no entanto, não era. E, no entanto, não era.
Ballet Béjart Lausanne. Aria
coreografo Gil Roman

sábado, janeiro 16, 2016

I know evil when I see it I know good and I just do it if I hadn't been so starved Is it human to adore life




Descoberto, por acaso.
Gosto.
Savages “Adore”

Coisas que fazem a vida valer a pena:
Pablo Iglésias no S.Jorge, hoje, à tarde,
no comício para as Presidenciais
 da candidata Marisa Matias.
A música sempre importante.

quarta-feira, janeiro 13, 2016

Homem das minhas perplexidades,
Saudades inúteis e inacabadas,
Salivas, semens, suores e cheiros,
Corres dentro e ao redor de mim.







terça-feira, janeiro 12, 2016

Ne Me Quitte Pas - Béjart, Brel Barbara





Bailarina: Elisabeth Ros
Música: Jacques Brel
Bailado: Brel Barbara
Coreografia: Maurice Béjart

Para quem quiser ver o espectáculo todo:
Brel Barbara

L'Amour Fou

Take me with you. I want a doomed love. 
I want streets at night, wind and rain, 
no one wondering where I am.
Michael Cunningham




segunda-feira, janeiro 11, 2016

11-01-2016




Recebo a mensagem:
o Bowie morreu.

Quando parei de chorar já tinha chorado muito

sábado, janeiro 09, 2016

Irrelevâncias




Photo by Marjory Collins
Em Portugal, pelo menos na capital, apanhar um transporte público é descer vários degraus na escala social. As pessoas não podem ser vistas nas paragens de autocarro, é demasiado "classe baixa", como já ouvi dizer.
(Clara Ferreira Alves inE, do Expresso, hoje, sábado)

Acrescento: em Portugal, pelo menos na capital, as pessoas estão todas endividadas, compram automóveis topo de gama, claramente acima das suas possibilidades, para mostrar a suposta
"classe superior" (deles), à vizinhança e amigos. Num país falido, os carros continuam a vender 
como pãezinhos.
Alarmante. Os valores medíocres de uma sociedade pobre e retrógrada.

Muitos dizem que os transportes não são suficientes para tanta população trabalhadora. Basta
entrar numa longa e parada fila de automóveis e espreitar lá para dentro. A maior parte transporta apenas uma pessoa ao volante. Isso também deve querer dizer alguma coisa, como por exemplo, a nossa incapacidade de interagir com colegas de trabalho, ou mesmo com vizinhos e amigos. Um automóvel pode ser igualmente, um transporte público, dividido entre três ou quatro pessoas, a gasolina sai mais barata.

Reduzimos-nos ao que somos: um povo a precisar de reestruturação de mentalidades. A mentalidade tuga está fora de moda. Obsoleta. Uma sociedade onde os Ronaldos, os Jesus, os Lopeteguy, são os ricos e famosos, os heróis, os "que rica vida que ele tem", os exemplos a seguir pelo pobre do tuga com mente tacanha e codificada para que o bom seja a fortuna, as casas fabulosas dos ricos, os carros de alta cilindrada, os smartphones de 5ª 6ª ou 25ª geração, os facebook para mostrar a rica vida em férias nas Caraíbas, ou o colégio privado dos filhotes.  Cultura não é com eles. Apenas os mais novos, afectos a grupos internacionais de música, lá vão até aos Rock in Rio, Paredes de Coura e outros. De resto: Nada.

Que raio de sociedade a nosssa!

sexta-feira, janeiro 08, 2016



Eugenio Recuenco
esquece-me. quero andar
ao sabor do meu instinto
cultivado na desgraça.

o amor,
- deixa um travo, mas passa.

não tenhas pena.

do alto do meu aprumo
desafio a tua verve:

- para morrer,
qualquer lugar,
qualquer corpo,
e qualquer boca me serve.
(antónio botto)

quarta-feira, janeiro 06, 2016

Auto-Retrato

              



Lee Miller, Antibes, Roland Penrose, 1939

Dizem que vivo como os animais
que a ninguém amo e que em nada creio
Mas de cobardes o céu está cheio
E eu hei-de seguir sempre os vendavais

Neste abraçar pecados e ideais
Não sei quem passa quem se foi ou veio
És flor selvagem meu rebelde seio,
Mas não hás-de mudar jamais jamais.

Que a vida é para viver-se intensamente,
Em pélagos de dor ou gargalhadas
O bem e o mal que o sejam plenamente,

Eu beijo tudo como as alvoradas
Moral  isso é arrimo de aleijados
E só os mortos é que estão parados

segunda-feira, janeiro 04, 2016




Foto Tina Kazakhishvili Canaud.
puta que pariu a fraqueza que não ganha coragem e adia o amor


foto Annett Turki
promessa atravessa a alma dorme e acorda
a mão estendida aguarda que o vazio seja destruído
a resposta tarda a chegar canto vazio
a minha alma solta-se num suspiro e o sol geme
visto-me para cantar o amor e assim reapareces
a mão estende-se e o teu nome solta-se