sábado, outubro 31, 2015

JE SUIS COMME JE SUIS
De manhã tomei banho contigo. 
De tarde apanhaste o avião.
Horas de espera no aeroporto.
Ainda assim, apesar da saudade que se instala, sei que voltarás já na semana que vem. Desta vez será por mais tempo. E isso é bom.
Amo-te.

sábado, outubro 10, 2015

I should have known better/Jim Diamond


O Facebook e as incógnitas do sujeito - Shake the Disease



Arte de lucian stanculescu
..Era uma vez um adolescente sem amigos e meio frustadote, estudava numa universidade, mas não tinha amigos. A técnica ensinou-lhe como deveria fazer para se tornar popular; enganou uns tipos dizendo que os ajudaria a formar um grupo tão popular, que os próprios  ficariam parvos com as conquistas que fariam através desse meio perfeito e inócuo. A ideia tinha sido dos outros, mas isso agora não interessa nada, roubou-lhes a ideia, construiu o tal site a que deu o nome de facebook. Os americanos  livres, os chamados  americanos dos Estados Unidos da América, tipos do Texas, do Minnesota, de todos os cantos e regiões da terra do tio Sam, aderiram em massa ao tal projeto; Facebook.

Esses tipos americanos, a gente já sabia que eram estúpidos, ingénuos, fiquei muito surpreendida, quando na velha Europa a coisa virou fenómeno. Experimentei, aos poucos apercebi-me que aquilo não passava de um meio de se encontrar amigos, sem ser amigos, tipo vamos lá, vamos lá, não consigo seguir o raciocínio...aquilo seria uma espécie de aplicação informática, um ensaio de social networking que não nos são apresentados com qualquer intenção estética. Aquilo era material de engate, apesar de alguns não concordarem, aquilo é mesmo material de engate.

Ao travarmos conhecimento com alguém, em vez da troca do prosaico cartão-de-visita, bastava um pedido de amizade para estabelecer uma ligação entre os respetivos perfis online, tornando-os visíveis entre eles. Potencialmente todos os nossos movimentos poderiam ser seguidos e registados. Sem estar particularmente motivada para a aproximação de corações, ou a catadupa de amigos virtuais a entrar-me casa adentro, ainda me dediquei ao estudo da coisa, um punhado de impressões mais pessoais. Pretende-se estabelecer um triângulo, quiçá amoroso, entre amigo e amigo e a rede social, como uma membrana uterina.

Ao contrário do que acontecia há anos atrás, estes aderentes às redes sociais, deixaram de assistir a um filme nos cinemas, a deslocar-se  para ir ao teatro, a promover reuniões em casa com os amigos reais, passaram a encontrar-se no facebook. Como a maioria tem um emprego, não tendo acesso à rede social durante o dia, fazem-no pela noite fora. O que se perdeu com a coisa? As idas ao cinema, o falar (só teclam),  muitos já não falam uns com os outros, (caiu  em desuso), e outras coisas que a coisa tirou, como estares num jantar com gente com que era hábito trocares ideias, falar sobre assuntos atuais, e dás com eles à frente do ipad, ou ipod, ou sei lá o quê, a fotografar para democraticamente publicarem na coisa, com comentários mais ou menos idiotas, seja; - estou na fonte da telha a comer um peixinho-, ou - estou numa fila à espera de mesa -. Um simples click e aí vai a foto direitinha à coisa, para os amigos que estão na coisa, verem o interessante que é estares a comer peixinho, e ficarem cheios de invejinhas raivosas. Pensas tu. A maioria, está exatamente a fazer o mesmo que tu, a pensar o mesmo que tu, ou seja, vou enviar esta foto para a coisa, assim os meus amigos veem como eu estou divertido aqui com a Maria.

O acesso à comunicação, a possibilidade de ter uma voz, não deixa igualmente de ser uma certeza que as nossas vozes se exprimem quase exclusivamente através de fórmulas de design preconcebidas, empacotadas e nada flexíveis. O facebook, entre outras, roubaram-nos o prazer de comunicar. Hoje falamos, argumentamos, partilhamos imagens e musica - partilhamos mais, aparentemente - mas uma grelha de linguagem devota de qualquer plasticidade. Não somos donos da nossa própria sintaxe ou gramática. Somos autênticos papagaios. O facebook é um social feroz, com censura levada ao extremo, eliminando aquilo que não parece muito seguro (para eles os donos da coisa), não esqueçamos que os nerds dos american citizens não sabem nada sobre arte, a real. A nudez proibida de uma obra de arte, de uma fotografia assinada, é para eles pornografia. São os verdadeiros nerds ; -o creep americano-. Bons só na Broadway, nisso eles são bons, de resto são uns ignorantes. Vocês estão-se nas tintas, tanto se lhes dá, já aderiram aquele lixo virtual, onde o antídoto seria o regresso às relações próximas e à família.



Milhares de nerds seguem as suas vidas artificiais, sem se darem conta que, estão cada vez mais fechados em casa,  o ar que  respiram já não é assim tão fundamental, os amigos são só para as ocasiões, uma espécie de double life,  que a coisa que visitam todos os dias, a horas não muito convenientes para a família, não é mais que uma sereia atraindo-vos à perdição e ao esquecimento. Ainda mais: essa coisa a que aderiram chamada por Mark Zuckerberg de Facebook, não é diferente de todas as outras que definem as regras do uso das redes sociais. Tudo o que dizemos nos pode ser retirado e posteriormente recauchutado, processado e vomitado noutras plataformas, mesmo que ainda não saibamos o que elas virão a ser.

Post Scriptum:
AS RADIAÇÔES QUE QUALQUER ADERENTE AO FACEBOOK RECEBE POR MINUTO DÁ PARA MATAR QUALQUER UM NO PRAZO DE ALGUNS ANOS: DEPENDE DAS HORAS DIÁRIAS QUE PASSE EM FRENTE AO COMPUTADOR.

Eh! Você não sabia desta , pois não?
Nunca dou boas notícias já dizia o outro.
Espero que leia este post até aio fim  e TOME CUIDADO.

O Nerd tem um negócio de milhões que pode  causar danos irreparáveis
no seu sistema  nervoso central, e outros sistemas que não vou enumerar.
Digo-lhe: se não sabe procure informar-se.
wifi diseases

Dores de cabeça ah pois é
Fadiga inexplicável ah pois é
Doenças oculares ah pois é
Tumor cerebral ah pois é
Anomalias em recem-nascidos ah pois é
Abortos inexplicáveis ah pois é
Dores musculares ah pois é
Dificuldade em andar ah pois é
Alterações de humor ah pois é
Doenças do coração ah pois é
POIS É...


sexta-feira, outubro 02, 2015

Um Dia...



um dia, quando a ternura for a única regra da manhã,
acordarei entre os teus braços. a tua pele será talvez demasiado bela.
e a luz compreenderá a impossível compreensão do amor.
um dia, quando a chuva secar na memória, quando o inverno for
tão distante, quando o frio responder devagar com a voz arrastada
de um velho, estarei contigo e cantarão pássaros no parapeito da
nossa janela. sim, cantarão pássaros, haverá flores, mas nada disso
será culpa minha, porque eu acordarei nos teus braços e não direi
nem uma palavra, nem o princípio de uma palavra, para não estragar
a perfeição da felicidade.

José Luís Peixoto, in A Criança em Ruínas


Un Cheval de Race



Elle est bien laide. Elle est délicieuse pourtant!

Le Temps et l'Amour l'ont marquée de leurs griffes et lui ont cruellement enseigné ce que chaque minute et chaque baiser emportent de jeunesse et de fraîcheur.

Elle est vraiment laide; elle est fourmi, araignée, si vous voulez, squelette même; mais aussi elle est breuvage, magistère, sorcellerie! en somme, elle est exquise.

Le Temps n'a pu rompre l'harmonie pétillante de sa démarche ni l'élégance indestructible de son armature. L'Amour n'a pas altéré la suavité de son haleine d'enfant; et le Temps n'a rien arraché de son abondante crinière d'où s'exhale en fauves parfums toute la vitalité endiablée du Midi français: Nîmes, Aix, Arles, Avignon, Narbonne, Toulouse, villes bénies du soleil, amoureuses et charmantes!

Le Temps et l'Amour l'ont vainement mordue à belles dents; ils n'ont rien diminué du charme vague, mais éternel, de sa poitrine garçonnière.

Usée peut-être, mais non fatiguée, et toujours héroïque, elle fait penser à ces chevaux de grande race que l'oeil du véritable amateur reconnaît, même attelés à un carrosse de louage ou à un lourd chariot.

Et puis elle est si douce et si fervente! Elle aime comme on aime en automne; on dirait que les approches de l'hiver allument dans son coeur un feu nouveau, et la servilité de sa tendresse n'a jamais rien de fatigant.

Charles Baudelaire

foto thedaglab